Um novo estudo realizado no Reino Unido mostrou que a exposição a diferentes poluentes do ar afeta de forma distinta as funções do cérebro e dos pulmões, mesmo com a mesma quantidade de partículas. Os cientistas concluíram que é a composição do poluente que desempenha um papel fundamental na avaliação do seu impacto na saúde, e não a concentração de partículas em suspensão. Os resultados do trabalho podem influenciar futuras normas de qualidade do ar interior.
O estudo foi liderado por Thomas Flaherty, da Universidade de Birmingham. Nele foi analisado o impacto de:
🌲 fumo de madeira
🚛 gases de escape de motores a diesel
🍳 vapores de cozinha
🧴 aerossóis de limoneno, formados durante a utilização de alguns produtos de limpeza
Quinze voluntários saudáveis com mais de 50 anos e com histórico familiar de demência respiraram, durante uma hora, cada um dos poluentes numa câmara hermética através de uma máscara, mantendo-se um intervalo de duas semanas entre as exposições.
Após a exposição ao fumo de madeira e aos aerossóis de limoneno, observou-se nos participantes uma diminuição ligeira, mas mensurável, da função pulmonar, embora os valores se tenham mantido dentro da normalidade.
Nos testes de capacidades cognitivas:
a reação melhorava após a inalação de gases de escape a diesel e de fumo de madeira (o que os autores associam à presença de óxido de azoto, que dilata os vasos e aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro);
em tarefas que exigiam atenção sustentada, os melhores resultados foram registados após ar limpo e os piores — após vapores de diesel.
O limoneno contribuiu para a melhoria da memória em tarefas simples, enquanto os vapores de cozinha não produziram esse efeito. Cada fonte de poluição gerou o seu próprio padrão de alterações de curto prazo no funcionamento dos pulmões e do cérebro.